Em Água Branca, FPI reintroduz à natureza 800 pássaros silvestres

Soltura de animais aconteceu nos morros do Caraunã e do Padre, no município sertanejo

Eles estão de volta à natureza, e o meio ambiente é que agradece. Na manhã desta quinta-feira (12), aproximadamente 800 animais foram reintroduzidos ao seu habitat natural. A soltura aconteceu no Refúgio de Vida Silvestre dos Morros do Caraunã e do Padre, localizado no município de Água Branca, Sertão alagoano, em mais uma ação da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco. 
"O canto do pássaro voando livre é de alegria e é ainda mais bonito de se ouvir", comemorava o promotor de Justiça Alberto Fonseca, coordenador do FPI, ao soltar da gaiola o primeiro galo de campina que ganhou liberdade depois de viver tanto tempo preso. 
A ação de reintrodução dos cerca de 800 pássaros envolveu todos os órgãos da equipe fauna e durou cerca de uma hora. Eles foram devolvidos à natureza depois de passarem pelo processo de triagem, sendo submetidos a todos os procedimentos necessários à readaptação dos animais. 
"Nós temos a missão de olhar animal por animal, já que a maioria deles é mantida numa gaiola sem as devidas condições veterinária e de higiene, com fezes espalhadas e sem alimentação e água. Então, o trabalho é triar os bichos, medicá-los e acompanhar a evolução de cada um deles, para que sejam reintroduzidos na natureza", explicou Rafael Cordeiro, estudante de Medicina Veterinária do Cesmac, que divide a prática com os colegas também universitários Pedro Rafael, Arthur Carlos da Trindade Alves, Isabella Cordeiro, Fabiano Rocha e Rennys Alves.
Este grupo de alunos é acompanhado pelo professor e médico veterinário Isaac Albuquerque. "Esta é uma oportunidade muito importante para eles aprenderem experimentando", comentou. 
Funções na natureza e zoonoses 
Marcos Araújo, coordenador da equipe fauna, voltou a lembrar as funções dos pássaros no meio ambiente: "É preciso continuar insistindo neste processo de conscientização, já que estes animais produzem reflorestamento, fazem o controle de pragas em plantações e perpetuam suas espécies por meio da reprodução", ressaltou. 
Já o professor Isaac chamou a atenção para as doenças que podem ser transmitidas por animais que não receberam os devidos cuidados veterinários. "Grande parte dos animais domiciliados não tem histórico de sanidade, ou seja, não se sabe se aquele pássaro pode ou não estar doente. Se estiver, ele colocará em risco a saúde de toda uma família. E uma das zoonoses mais comuns é aquela provocada pela bactéria salmonela. A salmonelose causa diarreia, dor de cabeça e mal estar. Normalmente, contamina o ser humano por meio das fezes e de outros resíduos do animal", alertou o médico veterinário. 
Importância das reservas 
O também veterinário Epitácio Correia, por sua vez, reforçou a necessidade da criação de novas unidades de conservação, espaços adequados para a soltura dos animais. "Quando fazemos as abordagens para o resgate dos pássaros, explicamos o porquê de eles precisarem estar soltos na natureza, conversando também com donos de propriedades rurais. A intenção é que eles transformem seus imóveis em unidades de conservação, para que se aumente o número de áreas propícias à devolução desses animais ao seu habitat natural. Infelizmente, Alagoas tem um número muito reduzido desse tipo de bioma", detalhou.