Sindicato diz que 'presos fugitivos serão recapturados quando cometerem outros delitos’

Em um período de quase 3 meses, 17 presos fugiram em Alagoas; 11 deles continuam foragidos

As recorrentes fugas nos presídios de Alagoas expõem a fragilidade na segurança dos locais e os desafios na busca pelos presos. Isso porque, de 17 fugitivos em um período de quase 3 meses, cinco deles foram recapturados, um morreu em confronto com a polícia e 11 seguem foragidos, uma situação que é criticada pelo Sindicato dos Policiais Penais de Alagoas.

O sindicato aponta que não há uma força-tarefa por parte da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) para recapturar os presos, o que contribui para que os fugitivos continuem à solta, comprometendo a segurança do Estado.

“O sindicato não tem acesso de como andam as buscas. Os presos que estão foragidos só voltarão para os presídios quando cometerem outros delitos, pois, a procura por eles anda escassa. No máximo, o pessoal da inteligência está monitorando a situação, pois o grupo de inteligência é dedicado e eficiente, apesar das dificuldades materiais que enfrenta”, disse Vitor Leite, presidente do sindicato.

Vitor ainda chama a atenção para as fugas no Presídio do Agreste, em Girau do Ponciano, no dia 31 de julho. Um total de 12 presos fugiu do local e apenas cinco deles foram recapturados até o momento e um morreu após troca de tiros com a força de segurança alagoana. “Até hoje não ficou claro como os presos saíram de uma sala serrando grades de ferro com lâminas de barbear. É preciso esclarecimento”, falou.

“As ocorrências no Agreste chamam atenção por causa das circunstâncias da fuga, sem falar que os presos fugitivos são faccionados, levando perigo para a sociedade”, continuou.

Inclusive, documentos obtidos pela Gazetaweb apontam uma série de falhas no Presídio do Agreste. Relatório diz que o local onde aconteceu a fuga tem iluminação deficiente e que há ambientes com câmeras sem vigilância e guaritas sem policiais.

Além do Presídio do Agreste, as fugas foram registradas na Penitenciária de Segurança Máxima, no Presídio Professor Cyridião Durval e no Baldomero, em Maceió. Vitor diz que o que contribui para essas ocorrências é a falta de efetivo para os policiais penais do Estado e, também, culpa as falhas na gestão da Seris.

Em nota enviada à imprensa em 4 de outubro, quando a reportagem divulgou que a segurança e estrutura das penitenciárias são colocadas em xeque, devido às fugas, a Seris informou estar trabalhando para superar as carências existentes atualmente no sistema prisional e na recaptura dos fugitivos. Confira:

A SERIS (Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social) está trabalhando para superar as carências identificadas e melhorar funcionalmente o Presídio Baldomero Cavalcanti, assim como para a melhoria funcional e estrutural de todas as demais unidades do sistema prisional de Alagoas. A medida de impacto mais positivo será a entrada em operação do Presídio de Segurança Máxima III (PSM III), com capacidade para 1.008 vagas. O PSM III, já está concluído e em breve entrará em operação.

Para o PSM III será remanejado o excedente carcerário; fazendo com que Alagoas seja o primeiro estado no país a zerar totalmente qualquer déficit nesta população. O alegado problema de condições de trabalho também será sanado com a incorporação dos policiais penais aprovados no último concurso, mas, no momento, está sendo resolvido em caráter imediato com aumento de horas extras ao efetivo em atividade.

E um contingente que totaliza 270 PPs está, no momento, no Curso de Formação de Policiais Penais (CFPP), a cargo da Escola de Administração Penitenciária (EAP).A formatura da turma será no início de dezembro.

A alegação acerca dos módulos carcerários também será sanada com a entrega do novo presídio.