Quase 500 mil alagoanos estão na pobreza extrema, aponta IBGE

Entre os anos de 2012 e 2019, o número de alagoanos nesta situação avançou 4,5 pontos percentuais

O número de alagoanos em extrema pobreza avançou 4,5 pontos percentuais entre os anos de 2012 e 2019. Até o ano passado, 15% da população do estado vivia com até R$ 151 por mês. Em números absolutos são 499 mil pessoas nessa situação. Os dados foram divulgados nessa quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais 2020.
Segundo o instituto, esse percentual era de 11,5% da população alagoana em 2012. Contudo, esse indicador recuou 2,2 pontos percentuais em relação ao ano de 2018, quando a extrema pobreza atingia 17,2% dos alagoanos. Somente o Maranhão (20,4%) e o Acre (16,1%) apresentaram percentuais de extrema pobreza maiores que o registrado em Alagoas.
Os números mostram também que a pobreza é uma realidade para 1,57 milhão de alagoanos, o que corresponde a 47,2% da população. Isso significa que estas pessoas recebem menos que US$ 5,50 por dia em termos de paridade de poder de compra (PPC), o que equivale a R$ 437 por mês.
De acordo com a pesquisa, a pobreza em Alagoas recuou 1,3 pontos percentual entre 2012 e 2019, saindo de 48,8% para 47,2%. Também houve queda na comparação com 2018, quando o estado alagoano registrava 48,4% da população vivendo nessa situação.
Em todo o País a extrema pobreza avançou 0,7 pontos percentuais, passando de 5,8% da população, em 2012, para 6,5%, em 2019. Em números absolutos, são 13,689 milhões de brasileiros vivendo na extrema pobreza. Já a pobreza recuou 1,8 pontos percentual no Brasil, caindo de 26,5% em 2012 para 24,7% no ano passado. Entre os que se declararam brancos, 3,4% eram extremamente pobres e 14,7% eram pobres, mas essas incidências mais que dobraram entre pretos e pardos.
Entre as pessoas abaixo das linhas de pobreza, 70% eram de cor preta ou parda, enquanto a população que se declarou com essa característica era de 56,3% da população total. A pobreza afetou ainda mais as mulheres pretas ou pardas: eram 28,7% da população, mas 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.
"A população de cor ou raça preta ou parda está mais presente na informalidade, possui menos anos de estudo, está em atividades que remuneram menos, então tudo isso contribui para que a renda do trabalho seja menor. Certamente, todos esses elementos tanto do mercado de trabalho quanto de fora do mercado de trabalho fazem com que tenham um rendimento domiciliar per capita inferior e se insiram relativamente mais nessas categorias de pobreza e extrema pobreza", analisa o coordenador da pesquisa, João Hallak.
A pesquisa apresentou também um panorama de desigualdade segundo a cor ou raça, em Alagoas. Por aqui, a população ocupada de cor ou raça branca ganhava em média 37,4% mais do que a preta ou parda. Em valores, significava uma renda mensal de trabalho de R$ 1.828 frente a R$ 1.330, em 2019. Em Maceió, a diferença era de 56,8%, com um rendimento médio de R$ 2.531 para os brancos e R$ 1.614 para pretos ou pardos.
Na análise pelo nível de instrução, os dados revelam que as pessoas ocupadas em Alagoas que tinham o ensino superior completo recebiam, em média, R$ 21 por hora de trabalho, enquanto aquelas com ensino médio completo ou superior incompleto ganhavam R$ 9,1 e as com ensino fundamental completo ou médio incompleto recebiam R$ 6,7. Na última faixa, as pessoas sem instrução ou fundamental incompleto ganhavam, em média, R$ 5,8 por hora, mais de três vezes menos em relação aos que tinham ensino superior completo.
SEM INSTRUÇÃO
Entre as 1,033 milhão de pessoas ocupadas em Alagoas no ano de 2019, 36,7% estavam no grupo sem instrução ou com fundamental incompleto, 14% correspondia àquelas com ensino fundamental completo ou médio incompleto, 33,5% tinham ensino médio completo ou superior incompleto e 15,8% possuíam ensino superior completo.