Preso em SP no caso da bebida com cocaína fará avaliação psiquiátrica

Vinícius Salles Cardoso, de 31 anos, está preso temporariamente há dez dias

O homem acusado de entregar uma bebida supostamente adulterada para moradores de rua em Barueri, na Grande São Paulo, passará por uma avaliação por psiquiátrica nos próximos dias. Vinícius Salles Cardoso, de 31 anos, está preso temporariamente há dez dias. A Justiça pediu a prisão depois que ele prestou dois depoimentos contraditórios.
A perícia da Polícia Técnico Científica apontou que tinha mistura de álcool e cocaína na bebida.
"Ele já mudou de versão sobre como encontrou essa garrafa e, aparentemente, do ponto de vista psicológico, não está bem. Preciso, com a avaliação psiquiátrica, saber em que estado o Vinícius se encontrava no dia do crime. Por isso, vamos pedir para a equipe que o atendeu, naquela data, no hospital de Barueri, para participar desse exame", disse o delegado Anderson Pires Giampaoli, que investiga o caso.
A polícia ainda não agendou a data em que ele será submetido à avaliação psiquiátrica. Se o laudo apontar que Cardoso tem algum transtorno psiquiátrico e, na data do crime, não era capaz de entender o caráter ilícito do fato atribuído a ele pela polícia, ele será isento de pena. Nesse caso, a depender de decisão judicial, pode cumprir uma medida de segurança, como ser submetido a tratamento em um hospital de custódia.
Cardoso foi ouvido pela terceira vez nesta quinta-feira (28) para esclarecer à polícia se ele se envolveu, ou não, em uma discussão entre moradores de rua e um segurança de um comércio do centro de Barueri, um dia antes do crime.
"Ele negou que tenha se envolvido nessa briga. Está descartada para a investigação a hipótese de que esses moradores de rua morreram em razão de uma possível vingança de alguém, que possa ter entregue a bebida ao Vinícius com a intenção de matar essas pessoas", explica Giampaoli.
A Polícia Civil de São Paulo apura as circunstâncias do crime. Nove pessoas ingeriram a bebida. Quatro homens morreram logo após a ingestão e cinco pessoas, sendo uma mulher e quatro homens, foram internados num hospital municipal com sintomas de intoxicação (pupilas dilatadas, tremores no corpo e taquicardia).
Vinícius foi uma das pessoas que passou mal. Ele ficou internado em um hospital em Barueri por cinco dias. No dia 19 de novembro, após prestar o segundo depoimento, Cardoso foi encaminhado para o Instituto Médico Legal para fazer um exame de corpo e delito. Depois, foi conduzido para a cadeia de Carapicuíba.
Ele negou à polícia a acusação de assassinato. A reportagem não localizou a defesa de Cardoso para comentar o assunto.
Nova perícia
O delegado informou que a garrafa do álcool misturado com cocaína será submetida a nova perícia para verificar se o lacre do recipiente é igual ao utilizado pelo fabricante da bebida.
Giampaoli diz ter recebido uma garrafa igual à encontrada, com o lacre original, e precisa fazer essa comparação. A bebida, a cachaça da marca Sapupara, sabor frutas vermelhas, não é mais fabricada desde 2013, segundo a polícia.
A suspeita é que a garrafa encontrada por Cardoso tenha sido utilizada para o transporte de cocaína pura misturada com líquido. "A perícia não apontou nenhum insumo na garrafa. O perito do IC [Instituto de Criminalística] já me esclareceu que, evaporando aquele líquido, restaria apenas a cocaína pura.", disse o delegado.
Por esse motivo, acredita-se que Cardoso encontrou ou até mesmo furtou essa garrafa em um ponto de venda de drogas e entregue para os moradores de rua beberem. Ele é usuário de cocaína.
Overdose
O Instituto Médico Legal (IML) concluiu os quatro exames sobre a causa da morte de quatro pessoas em Barueri no dia 16. Todos tiveram overdose provocada pelo uso de cocaína, segundo o delegado Giampaoli.