Entidades pedem justiça pela morte de professor da Ufal e apontam crime de ódio

José Acioli Filho, professor Doutor da UFAL e foi encontrado morto em sua residência no bairro do Jaraguá, na noite desta quinta-feira

Após a morte do professor e doutor da UFAL, José Acioli Filho, que foi encontrado sem vida em sua residência, no bairro do Jaraguá, na noite desta quinta-feira (16), entidades culturais, artistas e ativistas manifestaram notas de pesar pela perda do pesquisador e pedem justiça pelo ocorrido.

Tendo feito parte da comunidade LGBTQIAP+, os pronunciamentos pedem investigações e providências quanto à responsabilização do assassino. O Grupo Gay de Maceió (GGM) relatou, em suas redes socias, que o assassinato do professor foi fruto de crime de ódio e que estará ativo em busca da elucidação do caso.
"Uma pessoa LGBT é assassinada a cada 24 horas, e com a pandemia da covid-19, a situação tem se agravado barbaramente e não podemos nos calar diante de tanta barbárie", escreve o grupo.

O Núcleo de Estudo e Pesquisa das Expressões Dramáticas (NEPED) da Ufal, da qual o pesquisador fazia parte, também prestou homenagem em suas redes sociais, em tom de indignação.

”Alguma coisa precisa ser feita, as pessoas serem protegidas, respeitadas em seus afetos, terem as suas dignidades asseguradas. O sentimento de revolta que nos domina é muito grande. Acioli era um ser humano inigualável, sempre disposto a servir e a colaborar e vestia a camisa da Universidade com o mais digno respeito que a universidade pública merece", afirma o núcleo no tributo.

Já a pesquisadora e realizadora audiovisual Bruna Teixeira também manifestou pesar nas redes sociais e destacou e mortes semelhantes se repetem. "

”É preciso falar da solidão do homem gay idoso, é preciso falar da masculinidade jovem oportunista, é preciso aprofundar a homofobia para além do raso de dizer que é crime, é preciso proteger os corpos dos homens gays das mesmas mortes de sempre. Elas se repetem! Quando uma cidade perde um professor, um artista, um agente de mudança, por meio do ódio passional de um zé banal, perde um pedaço de tudo", expôs.

O caso

O professor foi encontrado já sem sinais vitais e com dois orifícios de entrada na região atrás da orelha esquerda, após de uma postagem suspeita em suas redes sociais, repletas de erros de português, que davam conta de que o professor viajaria e estaria sem sinal.

Informações extraoficiais dão conta de que o professor, de 59 anos, estava acompanhado de um rapaz, na casa dele, momentos antes do assassinato.

Uma testemunha, inclusive, teria jantado com a vítima e informou que, quando foi embora, o suposto namorado permaneceu na casa.

A Polícia Civil informou que o carro do professor foi roubado, além do micro-ondas e alguns utensílios domésticos.