Em apenas uma semana, Alagoas registra 3 mortes violentas de LGBTQI+

De janeiro a setembro deste ano, GGAL contabilizou 13 assassinatos, sendo 5 de transexuais; maioria dos casos segue sem solução

Alagoas atingiu a marca de 13 mortes de pessoas LGBTQI+ em 2020. Somente nesta semana, três pessoas foram vítimas de homicídio no estado, segundo dados do Grupo Gay de Alagoas (GGAL). Destes, conforme o GGAL, cinco eram transexuais. Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil (PC). 
Na segunda-feira (28), a vítima identificada como Mychael Douglas Fontes da Silva Souza, conhecida por Martito, de 24 anos, foi morta com um tiro no rosto, na Travessa Pão de Açúcar, no bairro do Canaã, em Maceió. Os autores do crime e a motivação são desconhecidos.

Michele foi morta com um golpe de faca no pescoço - Foto: FOTO: reprodução

Na manhã de quarta-feira (30), uma mulher transexual foi morta a facadas, no município de São José da Laje. Segundo a polícia, a vítima identificada como Fabrício Alves da Silva, conhecido como Michele, e os criminosos estavam bebendo, quando houve um desentendimento que acabou no homicídio. Os suspeitos ainda jogaram o corpo da vítima em um matagal. Três envolvidos foram presos e um menor apreendido. Outra pessoa segue foragida.
Já na manhã desta quinta-feira (1º), um jovem, identificado apenas como Luan, foi assassinado durante a madrugada. A irmã da vítima encontrou o corpo do jovem dentro de casa. A vítima estava sozinha e a porta foi arrombada. Não há informações sobre os suspeitos.
Segundo o presidente do GGAL, Nildo Correia, dos 13 casos registrados em Alagoas, cinco eram mulheres trans. A maioria dos homicídios, segundo ele, permanece sem solução. 
"Além de incluir no relatório de crimes LGBTQI+ no Brasil, nós encaminhamos os casos para a OAB, MP, e, agora, trabalharemos em sintonia com a Promotoria de Crimes contra Vulneráveis do Tribunal de Justiça de Alagoas", afirmou Nildo.
Violência
No último dia 18, o GGAL havia registrado a 10ª morte violenta de pessoa LGBTQI+ no Estado. A vítima era Maria Camila Coimbra dos Santos, de 32 anos, cujo corpo foi encontrado com marcas de tiros na cabeça e golpes de faca no abdômen, em um canavial localizado em terras da Fazenda Utinga, nas proximidades do Polo Cloroquímico, entre Marechal Deodoro e Coqueiro Seco.
Quem tiver algum detalhe a colaborar com a investigação pode fazer contato com o Disque Denúncia, da Secretaria de Segurança Pública (SSP), pelo telefone 181. Não é preciso se identificar na ligação.