Ricciardo revela que começo ruim na McLaren pôs em dúvida amor pela F1

Australiano relembrou mudança de chave em sua mentalidade com vitória no GP da Itália da temporada passada, após batida entre Verstappen e Hamilton

Fazendo hoje sua segunda temporada pela McLaren, Daniel Ricciardo enfrentou um ano difícil com o novo time em 2021. Porém, a discrepância no desempenho para o novo colega de equipe, Lando Norris, começou a sobressair. Em um ano no ele qual sofreu com a distância da família devido à pandemia do coronavírus, a má fase se aplacou com uma inesperada vitória no GP da Itália, a qual o australiano revela ter sido fundamental para responder seus próprios questionamentos.

- Eu lutei muito ano passado com questões como "foi a decisão certa mudar de equipe de novo? Por que não está fluindo? Há algo me contendo que eu não notei?". De repente eu comecei a sentir medo: "eu não estava mais conseguindo arriscar?" Tipo, o que estava havendo? - relembra.

Norris começou 2021 conquistando dois pódios nas cinco primeiras etapas da temporada, na Emilia-Romagna e em Mônaco. Já Ricciardo suou para conseguir pontuar em quatro delas, chegando apenas em 12º na corrida nas ruas do principado - enquanto o colega foi terceiro colocado.

No retorno da pausa de inverno da F1, na Bélgica, o australiano se beneficiou da não-conclusão da prova devido à chuva no Circuito de Spa-Francorchamps para manter o quarto lugar conquistado na classificação - oposto ao 14º do companheiro de equipe, que bateu na sessão de sábado.

A segunda metade da temporada marcou também um declínio dos resultados gerais da McLaren frente à confiabilidade da Ferrari, que fechou 2021 como terceira força do campeonato. Porém, com Ricciardo, a equipe quebrou uma seca de quase uma década sem vitórias, desde o GP do Brasil de 2012.

Na prova em Monza, o piloto de 32 anos ultrapassou o pole Max Verstappen na largada e manteve a liderança da prova até fazer seu pit stop na volta 22.

A parada antecedeu, na volta 25, uma batida que tirou o atual campeão mundial e Lewis Hamilton da prova e sacramentou a vitória de Ricciardo depois de três anos sem subir no lugar mais alto do pódio e a primeira dobradinha da McLaren desde 2010.

- Cheguei na segunda metade da temporada um pouco mais solto. Tipo, "só vamos lá correr, nos divertir. Seja um cara bravo e não pense demais". Pensei "ninguém vai tirar essa corrida de mim". Há essa espécie de convicção, o desejo de lutar. Assim que fizemos o pit stop eu pensava "sem chance de alguém me vencer hoje, não vai acontecer" - continuou o piloto do carro 3.

A partir dali, foi só administrar o que seria o melhor resultado da McLaren em 2021 - sobretudo após Norris perder, na Rússia, a chance de vencer por se recusar a trocar os pneus pelos intermediários no fim da prova.

O resultado, para Ricciardo, significou muito:

- o ano foi difícil, mas a vitória confirmou muita coisa para mim. Houve momentos em que eu não tinha certeza se amava mais o esporte, mas depois da vitória eu estava tipo "não, isso significa muito pra mim. Eu provei isso hoje, provei que ainda consigo". Senti emoções boas, positivas. Não quero dizer que chorei, mas quase poderia ter chorado de felicidade.

Ricciardo terminou a última temporada na oitava colocação, duas posições atrás de Norris. Neste ano, ele segue obtendo resultados mais discretos em comparação com o colega de equipe.

Em 11º, tem como melhor resultado pessoal um sexto lugar na Austrália, deixando de pontuar em três corridas e abandonando na Arábia Saudita. Norris, por sua vez, chegou em terceiro na etapa da Emilia-Romagna e está em sétimo lugar no Mundial de Pilotos.