Massacre na Sérvia e recado para o mundo: o ouro é dos Estados Unidos

Mesmo sem principais astros, americanos arrasam adversário na final dos Jogos Olímpicos com vitória por 96 a 66 na despedida do técnico Mike Krzyzewsk

Não há melhor resposta do que aquela feita na prática. Se havia alguma dúvida sobre a capacidade dos 12 jogadores escolhidos para representar os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a final do torneio masculino de basquete serviu como um recado para o mundo: "Vocês não são páreo para a gente" poderia ser a resposta de uma seleção que começou cercada de incertezas diante da desistência de nomes de peso da NBA, a liga americana, como LeBron James e Stephen Curry. Mas o celeiro de talentos é interminável em uma modalidade dominada desde os seus primórdios pelos americanos. Neste domingo, na Arena Carioca 1, em uma reedição da decisão do Mundial de 2014, ignoraram a Sérvia, destruíram um time que complicou sua vida na primeira fase, venceram por 96 a 66 e colocaram a 15ª medalha de ouro em 19 possíveis na história do evento. A Espanha ficou com o bronze.
Kevin Durant confirmou seu carimbo de superestrela com mais uma atuação impecável na decisão. Campeão também em Londres, em 2012, ele terminou a vitória sobre a Sérvia com 30 pontos, convertendo cinco de 11 bolas de três. Carmelo Anthony teve uma participação discreta em quadra, com sete pontos, mas se tornou o primeiro americano tricampeão olímpico de basquete e o único a participar de quatro edições da competição.
Em sua despedida do cargo, fechando o ciclo com uma invencibilidade de 76 jogos, tendo perdido a última vez em 2006, para a Grécia, na semifinal do Mundial, o técnico Mike Krzyzewski mostrou mais uma vez ser um talento tão talhado quanto os jogadores em quadra. Aos 69 anos, deu mais uma aula tática. Ele tirou Kyrie Irving da marcação Milos Teodosic, por quem tem muita admiração, e colocou jogadores mais eficientes na função, como Klay Thompson e Paul George. Deu certo, parando a capacidade ofensiva do adversário.
Depois de quatro vitórias seguidas apertadas, contra Austrália, a própria Sérvia, França e Austrália, os Estados Unidos até apresentaram dificuldades no começo e venceram apenas por 19 a 15 o primeiro quarto. Mas ali já apresentaram um domínio extremo nos rebotes, principalmente nos ofensivos, com oito contra apenas um dos sérvios.

Draymond Green e DeAndre Jordan se divertem no banco de reservas - Foto: FOTO: REUTERS/Shannon Stapleton

Os rebotes ofensivos e a capacidade defensiva se juntaram ao talento de Durant para fazer os Estados Unidos abrirem vantagem no segundo quarto. Com direito a bolas de três de todos os cantos da quadra e duas belas enterradas, ele comandou uma sequência de pontos dos americanos, que terminou com um placar de 52 a 29 no segundo quarto, praticamente acabando com qualquer esperança da Sérvia de fazer um jogo equilibrado.
A Sérvia perdeu a cabeça com a situação. Nikola Kalinic cometeu falta técnica e deixou a quadra com sua quinta. O técnico Sasa Djordjevic quase invadiu a quadra no fim do terceiro quarto de tão irritado com a marcação. Nada que tirasse a tranquilidade dos americanos em seu momento de mostrar ao mundo a sua superioridade na modalidade que dominam. 
O espaço para dar show se abriu. Ponte-aérea de DeAndre Jordan, dribles desconcertas de Kyrie Irving e Kyle Lowry, além de uma aula de como administrar egos e levar um jogo a sério. Draymond Green, um dos destaques do Golden State Warriors campeão em 2015 e vice em 2016, ficou no banco de reservas quase todo o tempo contra a Sérvia. Harrison Barnes, ex-Warriors, atuou ainda menos. Ambos tiveram suas chances no último período, no qual a torcida procurou uma forma de se divertir e pediu a entrada de Green, sendo atendida. 
Os americanos continuaram senhores de si em uma vitória emblemática, finalmente com jogadas que levantaram os torcedores. Diante da vitória, um rebote de Carmelo no fim virou motivo de comemoração por ter se tornado o maior reboteiro da história da seleção americana em Jogos Olímpicos, com 125, superando David Robinson. Também o maior pontuador. Com esse conjunto, mostraram que derrotas ao acaso podem acontecer no futuro, mas só ao acaso. O basquete tem um dono, a partir de agora e até os Jogos de Tóquio, em 2020, com Gregg Popovich, do San Antonio Spurs, no comando: os Estados Unidos.

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