Florentino Pérez não desiste de Superliga e desabafa: "Estou triste e decepcionado"

Após suspensão de torneio, presidente do Real Madrid diz que Juventus e Milan seguem no projeto e diz que se surpreendeu com reação negativa: "Nunca vi tanta agressividade"

Principal entusiasta da Superliga Europeia, o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, não desistiu da ideia. Em entrevista à rádio “Cadena SER” um dia após a suspensão do torneio, o dirigente disse que se surpreendeu com a reação negativa ao anúncio da liga e manteve a fé de que ela triunfe.

Estou um pouco triste e decepcionado porque levamos três anos trabalhando neste projeto”— Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, sobre suspensão da Superliga

– É o que podemos fazer para combater a situação econômica do futebol espanhol. La Liga é intocável, faz parte da história. E o formato da Champions League está obsoleto, antigo, e só interessa nas quartas de final. Antes, não tem interesse – comentou o dirigente, afirmando ainda que existe uma multa a ser paga pelos clubes que deixaram a Superliga.

Assim como fez em sua entrevista ao “Chiringuito” na última segunda, Florentino reiterou a estimativa de ganhos financeiros com a Superliga. O presidente do Real Madrid afirmou que se surpreendeu com a reação negativa ao anúncio da competição e chegou a insinuar que tenha sido algum movimento pensado.

– Nunca vi tanta agressividade, foi algo orquestrado. Surpreendeu a todos nós. Quando demos a notícia, pedimos para falar com o presidente da Uefa e da Fifa. Nem nos responderam.

"Em 20 anos, não vi essa agressividade em minha vida. Ameaças, insultos, como se tivéssemos matado futebol".

Florentino Pérez ainda disse que Juventus e Milan seguem no projeto, comentou a debandada dos clubes ingleses e garantiu que não teme punições da Uefa e Fifa. Veja as principais declarações do presidente do Real Madrid e da Superliga.

Como fica a Superliga?

– Está em espera, ainda existe. Juve e Milan não saíram. Estamos todos juntos. E Barcelona está refletindo. Alguém já disse que dos 20, coloquemos os quatro primeiros da Inglaterra, Espanha ... O fundamental é que os jogos tenham a atenção de todos e principalmente dos jovens, que 40% dos jovens entre 16 e 24 anos não assistem mais ao futebol. Se você tem um jogo muito bom, você incorpora os jovens ao invés de eles irem jogar videogame.

Debandada dos ingleses

– Houve um fato muito complicado. É difícil explicar, mas havia alguém no grupo inglês que não estava muito interessado. Isso começou a infectar os outros. Um nunca ficou muito convencido. Foi assinado um acordo vinculante. E teve o primeiro-ministro (Boris Johnson) aquecendo por um lado...

Teme represálias?

– Nenhuma. Mas outro dia fiquei muito preocupado porque o presidente da Uefa disse que os investimentos têm de ser encorajados e libertados... que cada um interprete como queira, mas não parece bom. Fair play financeiro é necessário, mas não flexível, estrito.

Críticas do presidente da Uefa

– Quero um presidente educado, que não insulte, que não fale como falou. Estamos numa Europa democrática, isso já não acontece. Vamos discutir e não criar obstáculos. As formas são muito importantes. Esse jeito de falar, de insultar um presidente de clube centenário... Eles têm que dar o exemplo.

Críticas dos torcedores

– Fizemos um trabalho e dissemos que o lançaríamos o mais rápido possível porque é urgente. Em agosto deste ano ou no próximo, o mais rápido possível. Por que não confiam nos que fizeram esse trabalho? Tenho de perguntar aos torcedores do Madrid? Você acha que eles são estúpidos? Se você disser que toda terça ou quarta-feira vai jogar contra o Manchester ou o Barcelona... Eles não vão preferir? Aqueles de Chelsea? Havia 40 deles (nota da redação: a polícia inglesa estimou cerca de 1,5 mil torcedores no protesto) e posso dizer quem os trouxe. Mas os fãs do Real Madrid... acham que eles não preferem que joguemos contra os grandes desde o início? Você acha que eu tenho que perguntar isso a eles?