Bartomeu diz que jogo sem fãs foi protesto: "Só o Barça podia fazê-lo"

Presidente rebate críticos que pediam adiamento do jogo por solidariedade a catalães: "Não concordo com quem diz que agora somos mais um clube"

Mergulhado em críticas nos últimos meses pela gestão conturbada do futebol, o presidente Josep Maria Bartomeu voltou ser alvo de imprensa e torcedores do Barcelona por ter decidido que o time enfrentasse o Las Palmas no último domingo, enquanto a população da Catalunha vivia um dia complicado com a repressão policial diante do referendo sobre a independência da região. Por conta das inúmeras manifestações contrárias à decisão, o mandatário convocou uma entrevista coletiva nesta segunda-feira para explicar porque desistiu de não entrar em campo diante da possibilidade de perder seis pontos - e defendeu-se alegando que jogar com as arquibancadas vazias foi um grande protesto.
- Ontem foi um dia difícil para todos os que vivemos na Catalunha e foi um dia difícil para o Barça. Recebemos pressões de todos os tipos. Uma vez que não conseguimos adiar, decidimos que o jogo se disputasse com portas fechadas, pensando que seria um grande alto-falante. Era uma grande maneira para que o mundo se perguntasse o que acontecia na Catalunha. Anulá-lo teria sido uma notícia de um minuto, mas jogá-lo representou 90 minutos do mundo se perguntando o que aconteceu - afirmou Bartomeu, chamando o estádio vazio de "uma imagem muito potente".
A imprensa catalã não poupou a diretoria do Barça, e dois dos principais diários esportivos de Barcelona chamaram de "vergonha" o fato de a equipe ter enfrentado o Las Palmas. O clube tentou por muitas horas o adiamento do jogo, alegando, a princípio, ameaças à segurança do evento - mas a Liga Espanhola rechaçou a possibilidade por não ter sido notifica oficialmente pela polícia. Desta forma, se quisesse abrir mão de jogar, o Barça levaria o WO e perderia seis pontos, como prevê o regulamento do Campeonato Espanhol - e a diretoria resolveu não pagar tal preço, apenas mantendo os portões do Camp Nou fechados.
Bartomeu também comentou a ironia de alguns críticos, que apontaram que o Barcelona deixou de ser "Mais que um clube", como afirma seu lema, a partir do momento que focou na questão esportiva e deixou momentaneamente de lado a ideologia catalã. Alguns disseram que o Barça tornou-se apenas "Mais um clube".
- Não estou de acordo com quem diz que somos agora "mais um clube" por ter jogado. O Barça é muito "mais que um clube" também por esse fato. Que 154 países vejam um jogo e se perguntem o que acontece para estar vazio, só o Barça poderia fazê-lo. Esse "mais que um clube" fica ainda mais evidente - completou.
O presidente também confirmou os pedidos de demissão dos diretores Carles Vilarrubí e Jordi Monés, que solicitaram o desligamento do clube após a decisão de entrar em campo no último domingo. Deixando claro que o Barça condena qualquer violação à liberdade de expressão e que o clube buscou mostrar sua indignação, Bartomeu apontou a decisão de mandar o time a campo como "uma das mais difíceis" que tomou como presidente e pediu "desculpas aos sócios e torcedores que se viram prejudicados".
- Não disse que era uma opção não se apresentar para o jogo. A princípio, a ideia era adiar o jogo, e como não pôde ser, buscamos outra maneira de dizer ao mundo o que estava acontecendo. A decisão tomada ontem não foi fácil. Foi muito analisada, e tomada com todas as consequências a plena consciência. Entendo que possa haver sócios que não gostem da decisão e tenham outras opiniões. São muito respeitáveis, mas a decisão que tomamos com o estádio fechado buscava a imagem mundial de um estádio fechado - encerrou.