Aos pés do Cristo, mãe de Isaquias sofre: "Pensei que ele tivesse morrido"

Dona Dilma Queiroz quase tem um treco com a demora do filho para emergir após conquistar o bronze na prova C1 200m

O coração de Dona Dilma passou em mais um teste de tensão. Mais foi duro. Batidas coordenadas com as remadas do filho, que não largou bem e chegou a ficar em último, olhos fixos na água da Lagoa Rodrigo de Freitas, confiança, fé aos pés do Cristo Redentor e uma mistura de alegria, preocupação e alívio.
 Nesta quinta-feira, um pacotão de emoções embalou mais uma medalha do brasileiro. A segunda medalha olímpica de Isaquias Queiroz na canoagem de velocidade teve até suspense. 
Depois da prata conquistada na prova C1 1000m, na terça-feira, o baiano de Ubaitaba, cidade de 30 mil habitantes que parou para vê-lo, foi novamente ao pódio na disputa da C1 200m, desta vez com o bronze. Aos 22 anos, já é protagonista do Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio.  
Na chegada, Isaquias caiu na água e demorou a emergir. Nesse momento, Dona Dilma entrou em parafuso. Enquanto a torcida brasileira esperava o anúncio dos três primeiros colocados aparecer no telão, ela só olhava para a raia cinco. Isaquias não vinha. 
- Cadê meu filho, gente? Cadê meu filho? - perguntava a mãe, tensa. 
Acalmada pela família, foi preciso beber água gelada e molhar o rosto. Refrescar o corpo e sossegar o coração. Foi quando Isaquias reapareceu. Tudo bem com ele, que comemorou com socos na água. Daqui a pouco teria uma medalha de bronze para pendurar no peito.  
- Pensei que meu filho tivesse morrido. Ele demorou muito a aparecer ali na chegada. Pensei: "Senhor, traz meu filho de volta". E agradeço a Deus por tudo o que ele tem feito. O ouro melhor é esse. Graças a Deus ele conseguiu a segunda medalha. Muito feliz por ele. Agradeço a ele por tudo o que ele tem feito por mim. Estamos muito felizes por tudo o que ele já fez. Essa segunda medalha me fez sofrer muito mais que na primeira. Mas eu estou bem, gente. Está tudo bem comigo - disse, aliviada, mas ainda sem fôlego. 
Isaquias, bom filho que é, retribuiu os agradecimentos. E alertou Dona Dilma para novas e fortes emoções. Fica a dica. 
- Mãe, muito obrigado, muito feliz de a senhora ter vindo, essa medalha é para a senhora. Espero que você não morra do coração, porque amanhã tem mais!
Após as conquistas da prata e do bronze, Isaquias ainda tem chance de conquistar mais uma medalha na Olimpíada do Rio. O brasileiro disputará as provas do C2 1000m - esta em parceria com Erlon de Souza -, com eliminatória nesta sexta-feira, dia 19, e final no sábado, dia 20.
A medalha de ouro da prova C1 200m ficou com Iurii Cheban, campeão olímpico nessa mesma prova em Londres 2012. O ucraniano cravou o tempo de 39s279, melhor tempo dessa categoria na história da Olimpíada, superando a marca de Isaquias da semifinal (39s659).
 Não dá para dizer que é um recorde, pois eles não são contabilizados na canoagem velocidade devido à diferença de características entre as lagoas, como o vento, por exemplo. Valentin Demyanenko, do Azerbaijão, ficou com a prata (39s493). O bronze do brasileiro foi confirmado com o tempo de 39s628, e o quarto colocado que, como Isaquias, foi parar dentro d'água logo após a linha de chegada, foi o espanhol Alfonso Benavides, com 39s649.

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