Federação e clubes alagoanos comentam nova lei do clube-empresa

Novo projeto visa permitir a mudança e a criação de sociedades anônimas em clubes de futebol

O Brasil terá uma nova mudança nas estruturas de alguns clubes de futebol. Após o presidente Jair Bolsonaro sancionar a lei, a regulamentação de clubes de futebol se tornarem empresa foi aberta e mais facilitada, baseada em algumas regras. Antes da lei, times de futebol só podiam ser associações sem fins lucrativos, a nova medida aproxima-se do modelo usado na Europa.

A discussão sobre o benefício da nova medida logo tomou as torcidas dos clubes, principalmente daqueles com grandes dificuldades financeiras, já que a nova regulamentação pode ajudar times que passam por dificuldades e que tem passivos muito altos. Em Alagoas, a ideia já está sendo discutida, porém, parece haver um consenso sobre os benefícios trazidos pela lei.

O presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), Felipe Feijó, em contato com a Gazetaweb, mostrou-se animado com a nova medida, acreditando que trará benefícios para os clubes, especialmente para os alagoanos que adotarem a mudança para clube-empresa.

"Acho super benefício, é uma boa oportunidade de os clubes se organizarem", contou o presidente.

Presidente da Federação Alagoana de Futebol, Felipe Feijó - Foto: FAF

No texto aprovado, os clubes têm por volta de quatro a seis anos para quitarem suas dívidas e saírem do vermelho, porém, também traz outras alternativas para a quitação de seus passivos, como recuperação judicial ou consórcio de credores. Felipe Feijó contou que acredita no crescimento dos clubes alagoanos que adotem a mudança, citando, inclusive, ASA, CRB e CSA.

"Temos marcas fortes, e o mais importante, não possuem passivo, ambiente perfeito pra investimento. No caso CSA, CRB e o ASA com passivo administrável. CSA já falou dessa possibilidade anteriormente", disse.

A Gazetaweb entrou em contato com o presidente do CSA, Rafael Tenório, que confirmou o interesse azulino nessa transformação para clube-empresa. O mandatário azulino relembrou que, desde o início de seu mandato no Azulão, ele pretendia trazer essa transformação para o clube.

Rafael Tenório, atual presidente do CSA - Foto: Ailton Cruz

"Eu sou uma das pessoas que vêm encabeçando esse projeto desde 2016, quando eu assumi o CSA. Eu dizia que os três principais objetivos na minha gestão eram: conseguir calendário, quitar o passivo e tornar o clube uma S/A (sociedade anônima). Então, os dois primeiros nós conseguimos, e o terceiro já é uma realidade", falou Tenório.

A mudança não seria novidade no futebol. Apesar da existência de diversos modelos de clube-empresa, alguns exemplos de sucesso perduram pelo mundo, como no caso dos times da Premier League da Inglaterra.

Dentro do modelo de S/A, a expectativa azulina seria trazer novos investidores, novos modos para captação de recursos, participação em bolsas de valores, podendo vender suas ações, entre outras coisas.

Do lado regatiano da história, o presidente Mário Marroquim também conversou com a Gazetaweb. O presidente, porém, afirmou não ter um juízo de valor sobre o projeto e que ainda vai conversar com a parte jurídica do CRB.

"Eu ainda não tenho juízo de valor sobre o projeto de lei completo. Eu vou fazer uma leitura com nossa área jurídica, pra gente entender e tudo tem pontos positivos e pontos negativos. A avaliação ainda terá que vir de forma mais detalhada", contou.

Mário Marroquim, presidente do CRB - Foto: Rayssa Tenório/Agência Lubi

Marroquim, porém, usou o exemplo do próprio CRB para enfatizar a importância da nova lei. Com a proposta da S/A cuidando da parte futebolística do clube, uma nova abertura para a entrada de dinheiro no caixa seria vista com bons olhos, principalmente levando em consideração que há uma saúde financeira no Galo.

"Para um clube como o CRB, que tem suas contas em dia, ela (a proposta) é importante. Ela busca possibilidades de parceiros, investidores. Você cria situações que pode tornar ela como empresa, abrindo, inclusive, na bolsa de valores. Mas cria responsabilidades, porque algumas pessoas acham que só tem coisas boas", contou.

Marroquim finalizou enfatizando a responsabilidade que se deve ter com a novidade. "Na outra banda o governo cria obrigatoriedades, então os gestores que não tiverem a devida responsabilidade, irão sofrer. Isso serve muito para os clubes que estão mais focados na boa gestão. Na minha avaliação, para os clubes que têm uma gestão temerosa, isso pode ser um grande risco", alertou Marroquim.

Diferente dos clubes da capital Maceió, o ASA vive uma situação financeira bem delicada. Com atrasos de salários e mau desempenho em competições, o clube-empresa pode tornar-se uma alternativa para que o clube volte a caminhar com o cinto menos apertado.

A Gazetweb também entrou em contato com o presidente do clube, Moisés Machado, porém, ele não respondeu até o fechamento dessa matéria. Já o vice-presidente Higor Rafael se mostrou contente com a mudança e vê com bons olhos para o futebol.

"Vejo com bons olhos, pois, sem dúvida, é um grande avanço para o futebol. Deixa suas diretrizes mais alinhadas com o que se vê no resto do mundo. O modelo de sociedade (anônima) que será implantado proporcionará maior possibilidade de investimentos internos e externos, uma vez que os clubes de futebol atualmente não são vistos como possibilidades de investimento visando à obtenção de lucro", opinou Higor.

Diretoria do ASA passa por pequenas mudanças após reunião de quinta (11) - Foto: Ascom ASA

Higor acredita que a ascensão do futebol nordestino e, especificamente do alagoano, trará grandes possibilidades de investimento. O vice-presidente alvinegro mostrou-se bem otimista com o assunto.

"O futebol alagoano e o nordestino estão em grande ascensão. Com CSA e CRB jogando uma Série B, com boas participações do ASA na Copa do Brasil e agora com o CRB também. E isso faz com que os investidores comecem a olhar com outros olhos aqui o nosso futebol e, quem sabe nos próximos dias, teremos novidades sobre o assunto", disse.

Por fim, sobre um possível interesse do Fantasma em se tornar um clube-empresa, o executivo não afirmou 100%, porém também não negou, colocando que é uma decisão que só terá tomada se houver debate entre o Conselho e a diretoria.

"Não vou dizer nem que sim, nem que não, pois ainda é um assunto que não foi discutido entre Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva do clube", finalizou.