DESPERDÍCIO CONFESSADO

Expectativa é de que o MP/AL entre no caso e investigue as nomeações na Vice-Governadoria

Uma bomba explodia na mesa do governador Renan Filho em meio a fatos simbólicos da semana: a Câmara dos Deputados revisava a Lei de Improbidade Administrativa e o Senado da República prosseguia com projeto de lei que criminaliza o servidor remunerado em cargo público, sem o desempenho habitual da atividade para a qual tenha sido nomeado. Já em Maceió, ocorria o lançamento do Programa Nacional de Prevenção à Corrupção.

Quem acendeu o pavio do artefato foi o deputado Davi Maia, que movimentou o plenário do Poder Legislativo com a grave denúncia de que os cargos comissionados destinados à vice-governadoria do Estado de Alagoas foram reocupados pelas recentes nomeações assinadas por Renan Filho, e publicadas no D.O. As reocupações dos cargos ocorreram após Luciano Barbosa renunciar ao mandato de vice-governador para poder assumir o comando da prefeitura de Arapiraca.

Além de pessoas de confiança nomeadas pelo governador, houve ainda a solicitação de veículos para atender, como justificou o governo, às “atividades operacionais da vice-governadoria”, cujo prédio encontra-se fechado e com certo aspecto ectoplasmático, além de placa de venda desde a saída de Luciano.

Como o teor explosivo do fato gerou repercussão na opinião pública – cujos efeitos os corneteiros palacianos não conseguiram desqualificar pelas redes sociais –, o governo então resolveu deixar de lado o exercício diário do silêncio em assuntos controversos e emitiu uma nota pífia para tentar se contrapor à denúncia. O efeito foi contrário, porque o governo Renan Filho confessou o desperdício.

Pela nota, reconhece as nomeações e diz que “todas as funções administrativas da vice-governadoria estão ativas”, mas admite a redistribuição dos nomeados em outros órgãos e a entrega das chaves ao locador do prédio. Agora, a palavra está com os órgãos de fiscalização.

A expectativa é de que o MP/AL entre efetivamente no caso. Por uma lógica simples: se revolveu requisitar da prefeitura de Maceió os documentos que fundamentaram a redução da passagem de ônibus, é de se imaginar que haverá ação determinada diante de um fato que eleva custo e consagra a prática perdulária contra o erário estadual.