DESAFIO DRAMÁTICO

Pandemia agrava o fosso social que separa os idosos e exige mais esforços pelo envelhecimento saudável

Com a decisão das Nações Unidas de declarar esta quadra da vida, em plena pandemia, como a Década do Envelhecimento Saudável, a grandeza das estatísticas justifica a preocupação global com os mais velhos. Basta apenas citar a espantosa projeção segundo a qual o número de idosos no mundo haverá de duplicar, alcançando 1,5 bilhão de pessoas até 2050.

Os dados aferidos revelam mais: 80% dos idosos estarão vivendo em países considerados de média e baixa rendas. Pelas condições econômicas e sociais dessas localidades, essa legião de gente na faixa de risco, em decorrência da Covid-19, poderá sofrer redução significativa no padrão de vida, pois a pensão chega apenas para 20% dos que estão em idade de aposentadoria.

No Brasil, documento publicado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, tendo como base dados recentes do IBGE e do Pnad Covid-19, expõe a importância dos idosos para a família e a economia brasileira.

O mesmo estudo do Dieese também faz um recorte sobre o perfil dos idosos de Alagoas. Como há 471 mil pessoas com 60 anos ou mais, é nessa faixa de risco que se concentra a maior aflição das famílias, diante da espera angustiante pela vacina.

De acordo com a expectativa propalada pelo governo do Estado, toda a terceira idade só irá obter o imunizante lá para o final de abril, caso o fluxo de vacinas não venha sofrer novos contratempos.

Mas quem são mesmo os idosos alagoanos? O estudo do Dieese mostra que 81% deles contribui com pelo menos 50% da renda domiciliar, residindo em casas que moram estudantes.

O imenso fosso social também é marcante, no comparativo com outros Estados da Federação. Enquanto 43% dos idosos de São Paulo possuem plano de saúde, apenas 17% dessa faixa etária alagoana consegue aderir à assistência privada.

A disparidade também é revelada pelas marcas que o corpo carrega. Dos 471 mil idosos de Alagoas, 61% apresentam comorbidade, que significa a junção de doenças num mesmo indivíduo. No estudo do Dieese, Santa Catarina aparece somente com 27% de pessoas com 60 anos ou mais apresentando comorbidade.

Outro indicador que aponta o imenso abismo entre os idosos pode ser detectado no padrão de vida familiar. Segundo o Dieese, em Alagoas, 43% deles estão em domicílios que recebem auxílio emergencial, enquanto que apenas 13% da mesma faixa etária catarinense vive em casa beneficiada pelo auxílio.

Se o envelhecimento saudável é, cada vez mais, uma preocupação global, no Brasil, em razão das desigualdades, já se apresenta como um dramático e complexo desafio a ser vencido.