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Artista quebra tabu e retrata sexualidade de pessoas com deficiência

Daniel Gonçalves é autor do Assexybilidade, documentário e exposição que retrata sexualidade de pessoas com deficiência


				
					Artista quebra tabu e retrata sexualidade de pessoas com deficiência
Pensada para ser totalmente acessível, a mostra dispõem os cliques das fotógrafas Letícia Laet e Gabvsky. Gabvsky/Imagem cedida ao Metrópoles

O capacitismo, termo recente que designa o preconceito com pessoas deficientes, infelizmente, está enraizado e presente em todas as áreas, inclusive na sexualidade. Foi pensando nisso que o jornalista, diretor e roteirista Daniel Gonçalves idealizou o projeto Assexybilidade, que engloba um documentário sobre o sexo e sexualidade de pessoas deficientes, além de uma exposição fotográfica.

Em cartaz no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro, desde o dia 11 de maio, a exposição Assexybilidade apresenta 35 fotos que retratam o espectro sexual de deficientes. Pensada para ser totalmente acessível, a mostra dispõem os cliques das fotógrafas Letícia Laet e Gabvsky — mulheres que também são deficientes — a 1,10m de distância do chão, de forma a corresponder com a altura de pessoas com nanismo ou em cadeiras de rodas.

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Já o documentário — que traz a provocação “eu aposto que você nunca ficou com uma pessoa com deficiência” — teve sua première mundial em julho de 2023 em Los Angeles e, além do Brasil, já foi exibido em países como Noruega, Bélgica, França, Itália, Áustria, Eslovênia, Suíça, entre tantos outros ao redor do globo.

Com estreia prevista para setembro deste ano em solo nacional, o filme foi contemplado com o prêmio de Melhor Direção de Documentário do Festival do Rio, e teve menção honrosa do Prêmio Felix.

Contudo, a ideia do Assexybilidade surgiu de uma demanda da vida pessoal de Daniel que destoa do reconhecimento diante do projeto: a constante discriminação e dessexualização que pessoas com deficiência sofrem durante toda a vida. Convivendo desde seu nascimento com uma deficiência de origem desconhecida que afeta sua coordenação motora, o diretor já sentiu na pele o preconceito no que diz respeito a relacionamentos e sexualidade.

“Em fotos, não dá para perceber que eu tenho alguma deficiência. Já aconteceu, mais de uma vez, de eu marcar encontros em aplicativos e, depois de encontrar a pessoa, ela sumir. Também já estive em um relacionamento com uma mulher e ela me disse que uma amiga chegou a perguntar se ela estava comigo por pena, sem contar com os comentários como: ‘Nossa, você é bonito, nem parece que tem uma dificiência'”, relatou Daniel.

Diante disso, durante a produção do seu primeiro documentário, Meu Nome é Daniel, ele percebeu que a angulação renderia um produto separado. Assim surgiu o Assexybilidade, que veio primeiro como filme.

Daniel traz depoimentos de 15 personagens em um longa repleto de recursos de acessibilidade, que, segundo o próprio, “foge do padrão das telas do cinema e avança na busca por uma estética DEF no audiovisual”.

Exposição fotográfica

Apenas em 2021, após Assexybilidade já ser um filme, se tornou também uma mostra fotográfica. O artista viu a exposição como uma forma de ampliar as camadas e personagens do longa. Ao todo, são sete personagens, incluindo ele próprio.

O ensaio foi realizado em fevereiro deste ano. Desde o início, Daniel pensou em uma exposição com fotos feitas por fotógrafos com deficiência. Além das fotografias, a exposição conta com um vídeo de 20 minutos que roda em looping para os visitantes.

Sobre a escolha do teor e angulação das peças, o roteirista afirmou ter feito questão de que trouxessem os modelos nus, justamente para que esses corpos fora do padrão fossem mostrados em sua forma plena.

“Você já reparou que a maioria desses ‘monstros’ de desenhos animados têm algum tipo de deficiência? O Corcunda de Notredame, um que não tem um olho, o Capitão Gancho que não tem uma mão… E como que uma pessoa que é vista como um monstro pode ser vista e ver a si própria como alguém bonito? Então era importante ter nus frontais. Isso choca algumas pessoas, mas é um choque que é importante e necessário”, pontua.

Historicamente, pessoas com deficiência vêm sendo marginalizadas e até mesmo consideradas como, literalmente, descartáveis. Na Grécia e Roma antiga, políticas eugenistas determinavam que bebês que nascessem com má-formação fossem jogados de penhascos, sem contar com culturas que chegaram a exibir pessoas com deficiência como atrações de circo, a igreja considerando a deficiência uma maldição ou castigo divino, entre outros exemplos.

Dessexualização e representatividade

Paradoxalmente ao fato de, muitas vezes, serem vistos como “demônios”, existe também a “santificação” de pessoas deficientes, que muitas vezes são infantilizadas e vistas como “anjos”, sem ter o direito de desejar e exercer sua sexualidade de forma plena e adulta. Muitas vezes, essa idealização é feita pela própria família.

Ao mesmo tempo em que são vistas como não sexuais, o estigma de vulnerabilidade que se tem em cima de pessoas com deficiência faz com que elas se tornem um dos principais alvos de assédios e abusos sexuais. De acordo com o IBGE, só no primeiro semestre de 2023, o Disque 100 registrou mais de 40 mil violações sexuais praticadas contra PCDs.

Daniel também vê uma diferenciação geográfica no trato com a pauta em cada país. Diferentemente do Brasil, que ainda é conservador por influências culturais e religiosas, outros países mais progressistas contam, inclusive, com os chamados assistentes sexuais. O serviço consiste no acompanhamento íntimo, afetivo e sexual para essas pessoas, para ajudar a pessoa com deficiência a tirar a roupa ou para atendê-la como um garoto ou garota de programa.

Nesse sentido, o Assexybilidade vem como um braço do movimento contra o capacitismo no Brasil, na luta para que a pauta avance e pessoas com deficiência sejam vistas como são: seres sexuais e sensuais, capazes de sentir e proporcionar prazer e vivenciar o sexo em sua totalidade, na medida em que desejarem.

Leia a matéria completa em Metrópoles.com

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