Todos Pela Cidade: Escadaria ganha 1.500 mosaicos e vai virar ponto turístico

Projeto de voluntários da arte contribui para ressignificação do espaço público

Ressignificar, apropriar e ocupar unindo a sustentabilidade. Esses são os sentidos que guiam os projetos de um grupo de pessoas preocupadas com o espaço urbano, - o Todos Pela Cidade -, que, em pouco mais de um ano, já realizou significativas intervenções em Maceió, sempre em lugares estratégicos, e que, ao fim, além da 'cara nova', acabam ganhando o calor da presença humana. 
E este é o sentido da coisa. Nesta semana, o primeiro projeto do grupo, idealizado ainda em 2017, finalmente está começando a ocupar o seu devido lugar: ali na Rua Eustáquio Gomes de Melo, muito mais conhecida como "Ladeira da Catedral", no Centro. Que, por sinal, tem uma vista privilegiada para o mar da Avenida.
Trata-se dos mais de 1.500 mosaicos em cerâmica, no tamanho 15x15cm, confeccionados por mais de mil populares que, além do contato com a arte, contribuíram com a ressignificação do espaço público. Se apropriaram do local, por reconhecerem o direito; ocuparam-o com as obras de arte e, em especial, com o calor da presença de quem passará a frequentar a "futura famosa escadaria de mosaicos do centro de Maceió". 
E os idealizadores do projeto - Fábio Palmeira, Soraya Correia e Carolina Garibini - já sabiam que ia demorar para os mosaicos chegarem à escadaria, afinal diversas condições eram necessárias para tanto. Os projetos do Todos Pela Cidade são iniciativas desses voluntários, mas eles necessitam de parcerias, sejam elas da comunidade ou de instituições públicas e privadas. 
Daí começaram as movimentações pelo Instagram, rede social que é o canal do grupo para alcançar a participação da população. E conseguiram. Construtoras doaram restos de cerâmicas, populares se dispuseram a fazer arte e as instituições públicas foram responsáveis pela legalidade da 'empreitada' e pela manutenção da escadaria. 
Tudo isso para que Maceió ganhe uma 'cara nova' e que a comunidade local contribua diretamente com isso, provocando a sensação de pertencimento, o que é uma responsabilidade social.
"Como o projeto não tem uma formalização, ele é uma convocatória por voluntários interessados no 'novo olhar para a cidade' para que a gente não fique apenas esperando pela iniciativa pública. Assim, tomamos conta do espaço que é nosso por direito", explica Soraya Correia, uma das idealizadoras do projeto. 
Os mosaicos

Projeto de voluntários da arte contribui para ressignificação do espaço público - Foto: FOTO: Patrícia Mendonça

Uma série de oficinas, todas promovidas pela artista plástica Marta Arruda, foi primordial para a confecção dos mosaicos, afinal, a maior parte dos voluntários sequer tinha tido contato com a produção artística. Eles vieram de diversas partes do estado e, entre eles, havia pacientes de clínicas hospitalares, crianças de escolas, entre outros.
"O que precisa, realmente, é uma mobilização das pessoas com relação ao pertencimento da cidade. Com o tempo, as pessoas têm perdido isso e creio que a arte pode transformar nesse sentido também. Eu acho que os mosaicos ajudam muito a comunidade a educar o olhar e vê-los como obra de arte. Tem também a questão da ressignificação. Esse é um trabalho puramente de reciclagem, já que as peças foram feitas com sobras de cerâmicas das construtoras. São fragmentos que se transformaram em obras de arte", detalha a artista Marta Arruda.  
Ela continua com o seu olhar sensível sobre a produção pelo Todos Pela Cidade. "A maioria das pessoas que participaram das oficinas, cerca de 90% delas, nunca fez mosaico, não se denomina artista, mas fez arte e contribuiu para o engrandecimento da cidade e com o nosso enriquecimento cultural. Depois das oficinas ninguém vai mais olhar um pedaço de cerâmica como um lixo e nem vai passar despercebido. A arte abre a mente, um leque para o conhecimento e uma vastidão de possibilidades", concluiu Marta Arruda.
O trabalho continua, afinal, é como a Soraya Correia disse: "a gente não tem uma data certa para terminar a obra porque trata-se de arte e a arte tem o tempo dela". Entretanto, não deve demorar muito para a comunidade ver toda a escadaria pronta. 
"No final da intervenção, como o nome do projeto já indica [Todos Pela Cidade], a gente espera que todos abracem, cooperem, mantenham o local limpo e que o ocupe", disse.