Em todo o país, 114 candidatos em 57 cidades disputam hoje segundo turno

Eleição começa às 7h e vai até 17h em 18 capitais e outros 39 municípios

Cerca de 38 milhões de eleitores estão aptos a participar neste domingo (29) do segundo turno das eleições municipais em 57 cidades, entre as quais 18 capitais. Os eleitos, dentre 114 candidatos, tomarão posse em 1º de janeiro de 2021.
As eleições deste ano foram adiadas de outubro para novembro em razão da pandemia da Covid-19. Em Macapá (AP), as eleições serão realizadas somente em dezembro, por causa do apagão de 22 dias que atingiu o Amapá.
O segundo turno acontece nos municípios com mais de 200 mil eleitores em que nenhum dos candidatos conseguiu alcançar maioria absoluta (metade mais um) dos votos válidos no primeiro turno.
Disputam o segundo turno os dois candidatos mais votados no primeiro. Portanto, estão na disputa 114 candidatos a prefeito e igual número de candidatos a vice-prefeito ? um candidato a prefeito em Piracicaba (SP) teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Ele poderá concorrer, mas a situação terá de ser analisada posteriormente pelo TSE.
Mesmo com uma série de medidas adotadas pela Justiça Eleitoral, como a ampliação do horário de votação e a obrigatoriedade do uso de máscaras, o índice de abstenção no primeiro turno (23,14%) foi maior que o dos pleitos anteriores.
Analistas já previam uma taxa de ausência mais elevada em razão da pandemia de coronavírus. Apesar do aumento, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, considerou o comparecimento na primeira etapa "extraordinário". Projeções pessimistas apontavam para um índice de 30%, o que não se verificou.
Análise
Cientistas políticos ouvidos pelo G1 avaliam que, nas eleições municipais deste ano, houve um enfraquecimento de candidaturas apoiadas no discurso da negação da política e autointituladas de antissistema.
Para sustentar esse argumento, os especialistas recorrem ao aumento na taxa de reeleição e à predileção do eleitorado por legendas maiores e tradicionais em detrimento das siglas mais recentes e de menor tamanho.
Em 2016, 46,8% dos prefeitos que tentaram a reeleição conseguiram um novo mandato. Em 2020, o índice saltou para 61%.
MDB e PSDB elegeram menos prefeitos em 2020 que em 2016. PP e DEM, outros partidos tradicionais, foram os que, no intervalo de quatro anos, mais cresceram em número de prefeituras conquistadas.
"Há um retorno à própria política. A gente não vê aqueles candidatos que são negadores da política como candidatos fortes. Isso tem a ver com o fracasso de bolsonaristas que têm o discurso antipolítica e um desempenho muito fraco do partido Novo, que também tem esse discurso e que se houve mal nesta eleição", afirmou o cientista político Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas São Paulo (FGV-SP).
Segundo ele, o eleitor está votando em políticos convencionais. "Não interessa se de esquerda ou direita, se mais novos ou mais antigos, mas que fazem o discurso da política convencional", disse.
O especialista vê um certo "cansaço" do eleitor com políticos que se elegeram em 2018 e agora enfrentam dificuldades na gestão e rejeição da sociedade. Ele cita os casos de Wilson Witzel (PSC-RJ) e Carlos Moisés (PSL-SC), governadores afastados dos mandatos. Essas experiências fazem o eleitor, na visão de Couto, "jogar no seguro".
Diretor da Vector Análise, o cientista político Leonardo Barreto diz que a onda da "nova política" diminuiu de 2016 para 2020.
MDB e PSDB, que são partidos da política, perderam muito espaço, mas acho que isso é mais um problema de renovação interna do que um voto antipartido ou antissistema. Se fosse um voto antissistema, aí o Novo tinha ganhado mais, o PSOL também", afirmou Barreto.
"Aquele movimento antipolítico que atingiu o ápice em 2018, com aquela coisa de caras que surgiam do nada e atropelavam, isso não aconteceu em nenhum lugar, pelo menos, com expressão. Aquela figura da nova política deu uma arrefecida. Isso está claro nos sinais de reeleição e na redenção de caras julgados como enterrados", disse.
Barreto também destaca o declínio no número de prefeituras conquistadas por partidos de esquerda, como PT, PSB e PDT; e o avanço de siglas de centro-direita, casos do DEM, PP, PSD, Republicanos e PL.
No entanto, para Creomar de Souza, fundador da consultoria política Dharma, é "precoce" dizer que o discurso da nova política foi derrotado nas eleições de 2020.
"As eleições municipais têm um elemento muito forte ? o de zeladoria. Os prefeitos são muito avaliados pela capacidade de entrega de respostas aos dilemas cotidianos, como melhoria de transporte público, atendimento hospitalar, entrega de maior contingente na guarda municipal, nos municípios em que há. E essas ações têm impacto direto na vida das pessoas", disse Souza.
"Há casos de políticos da ?nova política? que tiveram dificuldades, mas há casos também de prefeitos, eleitos quatro anos atrás com o discurso de nova política, que foram reeleitos no primeiro turno. É o caso do Alexandre Kalil (PSD-MG) em Belo Horizonte", emendou o consultor político.