DISRUPTORES ENDÓCRINOS: UMA AMEAÇA SILENCIOSA
Somos expostos a milhares de produtos químicos durante a vida, seja através do ar que respiramos, dos alimentos que comemos e da água que bebemos (por exemplo, produtos farmacêuticos, de cuidados pessoais, produtos de limpeza, antimicrobianos, conservantes de alimentos, revestimentos de latas metálicas, plásticos, brinquedos, detergentes, poluentes ambientais, pesticidas domésticos e agrícolas, etc.).
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Mais de 800 produtos químicos causam uma grande preocupação devido à sua “ação semelhante a um hormônio”, ou seja, eles podem atuar inibindo ou estimulando a produção de hormônios, ou alterando a forma como os hormônios viajam pelo corpo, afetando assim as funções desses hormônios.
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Também chamados de DISRUPTORES ENDÓCRINOS, essas substâncias apresentam propriedades desreguladoras do sistema hormonal. Os mais comuns são: o bisfenol A, ftalatos, organoclorados, dioxinas, bifenilos policlorados (PCBs), diclorodifenildicloroetileno, retardadores de chama polibromados, etc. Esses compostos foram considerados como fatores de risco para muitas doenças, dentre elas: obesidade, diabetes, doença cardiovascular, doença hepática gordurosa não alcoólica (gordura no fígado), hipertensão arterial, doença na tireoide, síndrome metabólica, puberdade precoce, alterações ciclo menstrual, ginecomastia, desordens neurológicas, distúrbios de aprendizado, autismo, câncer, entre outros.
Mais preocupante ainda, é saber que os disruptores endócrinos podem ser transferidos de mãe para filho através da placenta ou leite materno assim como, para as próximas gerações.


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Um painel de especialistas investigou a associação entre exposição aos disruptores endócrinos e casos de obesidade e diabetes na União Europeia e concluíram que a exposição ao diclorodifenildicloroetileno pode causar mais de 28.000 novos casos de diabetes em adultos, a exposição a ftalatos poderia causar em torno de 54.000 casos de obesidade e mais de 20 mil novos casos de diabetes em mulheres idosas, assim como uma exposição pré-natal ao bisfenol A tem uma probabilidade de causar mais de 40 mil novos casos de obesidade infantil.
Nesse contexto, é importante enfatizar a necessidade de precaução e prevenção da exposição a esses produtos químicos, educando a população, incentivando políticas públicas e agências governamentais sobre formas de manter os DISRUPTORES ENDÓCRINOS fora dos alimentos, da água e do ar, particularmente em indivíduos em desenvolvimento.
Segue abaixo algumas recomendações para reduzir a exposição aos disruptores endócrinos.
É preferível optar por:
- Alimentos frescos em vez de alimentos processados e enlatados;
- Alimentos sem produtos químicos adicionados (alimentos orgânicos);
- Evite produtos de limpeza doméstica que sejam “antibacterianos” ou que contenham fragrâncias, quando possível usar os ecológicos;
- Evite recipientes de plástico para alimentos e bebidas. Alimentos em recipientes de plástico não devem ser aquecidos em fornos de micro-ondas. Os recipientes de plástico podem ser substituídos por vidros ou cerâmicas.
- O consumo de laticínios gordurosos ou produtos cárneos deve ser reduzido;
- Evite manusear recibos;
- Os produtos de higiene pessoal não devem conter ftalatos, chumbo, parabenos, triclosan e outros produtos químicos;
- Limpe regularmente pisos e janelas para evitar o acúmulo de poeira;
- Os ambientes internos devem ser ventilados regularmente;
- Evitar brinquedos de plástico;
- Substitua ou repare móveis que tenham espuma rasgada ou exposta;
- Móveis tratados com retardante de chama devem ser evitados.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
