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Manicuro supera preconceitos em profissão liderada por mulheres

Natural de Penedo e vindo de uma família de sete irmãos, Rodrigo Galvão fez dos cuidados com as unhas sua fonte de renda


				
					Manicuro supera preconceitos em profissão liderada por mulheres
Rodrigo Galvão trabalha na profissão desde os 15 anos. Foto: Ailton Cruz

Foi observando a irmã dar "um jeitinho" nas unhas do pai que Rodrigo Galvão, aos 15 anos, descobriu sua paixão pela profissão de manicure. Mesmo sem especialização à época, começou a atender clientes e se apaixonou pela área, na qual trabalha até hoje, aos 31 anos.

Natural de Penedo, município do Baixo São Francisco alagoano, e vindo de uma família de sete irmãos — quatro homens e três mulheres —, Galvão, já na adolescência, sabia que seu futuro estaria no cuidado das unhas, uma profissão tradicionalmente associada às mulheres. Ele desmistificou essa ideia e alcançou realização profissional.

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Ele relembra que, na adolescência, sem emprego e com estudos incompletos, por ainda ser adolescente e não ter se formado no Ensino Médio, sempre teve vontade de ter as coisas e, com o tempo e a pressão por um emprego, começou a fazer as unhas da família, que o pagava um valor simbólico.

"Comecei a fazer a unha da minha mãe e irmãs, e, às vezes, elas me davam um valor, mas não muito alto. Mas acredito que foi isso que me abriu os olhos para, de fato, seguir na profissão", relembrou.


				
					Manicuro supera preconceitos em profissão liderada por mulheres
Rodrigo Galvão durante atendimento. Foto: Ailton Cruz

A partir daí, ele passou a sempre se oferecer para fazer as unhas das irmãs e da mãe, que aceitavam, e ele tomava isso como um aperfeiçoamento. "Nesse tempo, minha mãe sempre estava com as amigas, que também passaram a me procurar, transformando isso na minha profissão. Trabalhava a domicílio, indo de casa em casa, e depois fui trabalhar em salão. Em seguida, comecei a me especializar para atender meus clientes. E sempre estou em busca de novidades", disse.

Ele ainda recorda um momento engraçado e como conquistou uma nova cliente: "Eu ia de casa em casa quando trabalhava a domicílio. Lembro-me de que uma vez errei o número de uma pessoa, e caiu no número de outra, que acabou se tornando uma das minhas clientes fiéis, chamada Cida Lima, de Penedo", disse entre risos.

Seu começo na profissão se deu em Penedo, mas, em 2022, tomou a decisão de vir morar em Maceió, onde reside até hoje. Galvão conta que logo começou a trabalhar em um salão na nova cidade, mas não se adaptou.

"Vim trabalhar em um salão no bairro da Serraria, mas não deu muito certo porque eu não me encaixei no padrão deles", externou.

Mas seguiu em busca de sua realização, passando a trabalhar em outro salão, na Ponta Verde, onde está há três anos, cuidando das mãos de dezenas de clientes diariamente, com muita cor e amor que propõe ao seu trabalho. Sendo solícito e requisitado por quem procura os serviços do espaço de beleza, tanto mulheres quanto homens.

Mas não está livre do preconceito por ser "manicuro", como ele mesmo reconhece, mas isso não o afeta. Sua dedicação e amor à profissão o fazem enfrentar os obstáculos, que ainda são recorrentes.

"Eu sofro preconceito até hoje por ser homem, mas entendo o porquê. Algumas mulheres, por exemplo, têm receio, por medo de que minhas mãos sejam pesadas e que acabem machucando-as, mas quando são atendidas por mim, surpreendem-se por ser totalmente o oposto do que pensavam", reconheceu.


				
					Manicuro supera preconceitos em profissão liderada por mulheres
Manicuro conquistou clientes em salão da Ponta Verde. Foto: Ailton Cruz

‘ZOMBARAM DE MIM’

Outro preconceito vivido, e que ainda é recorrente, e que Galvão relembra até hoje, foi quando estava trabalhando e alguns homens passaram, o viram e zombaram do seu trabalho.

"Uma certa vez, passaram alguns homens em um carro da empresa em que trabalhavam, e começaram a rir de mim pelo fato de que me viram fazendo unhas. Mas ergui minha cabeça e me orgulhei ainda mais de mim, pois eu tinha a plena convicção de que meu dinheiro era honesto e eu não deveria ter vergonha disso, mas sim me orgulhar".

Com mais de 15 anos de profissão, com cursos e especializações, Rodrigo tem um diferencial: ele não apenas faz unhas bonitas, mas também atende bem seus clientes.

"Sempre atendo todas as clientes da melhor maneira possível, para que elas possam chegar sobrecarregadas de problemas, e eu sempre, em forma de palavras, possa abrir os olhos delas para poderem enxergar que para o problema tem sempre uma solução", falou.

Rodrigo é especialista em fibra de vidro, alongamento na tips, blindagem, banho e esmaltação em gel, manicure e pedicure. Além disso, realiza aplicação de unhas postiças e oferece spa dos pés. Ele também utiliza suas redes sociais para divulgar seu trabalho, atraindo clientes e completando sua agenda.

Realizado, com trabalho fixo e compartilhando a vida com o marido, Galvão, o "manicuro" de Maceió, ainda tem muitos sonhos, e um deles é ter sua casa própria, onde possa montar um estúdio, e também ministrar cursos. Mas, como ele finaliza: "uma coisa por vez".


				
					Manicuro supera preconceitos em profissão liderada por mulheres
Rodrigo Galvão. Foto: Ailton Cruz

EM 8 ANOS, SEIS HOMENS SE MATRICULARAM EM TURMAS DE MANICURE EM AL

A história de Galvão não é tão comum, pois sua profissão é mais procurada por mulheres, que se especializam mais na área. Para se ter uma noção, nos últimos oito anos, apenas seis homens se matricularam no curso de manicure do Senac em Alagoas (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).

A instituição oferece cursos, também gratuitos, para educar para o trabalho de forma inovadora e inclusiva, em atividades do comércio de bens, serviços e turismo.

“De 2017 a 2024, matriculamos 794 pessoas no curso de manicure. Dessas, 6 homens e 788 mulheres. Dos 6 homens: 2 na unidade Arapiraca, 3 na Unidade Poço/Maceió e 1 em Palmeira dos Índios”, detalhou o Senac em Alagoas.

A instituição ainda destaca que a quantidade de homens formados é referente aos anos de 2017 a 2021, visto que, nos últimos três anos, não houve homens nas turmas.

Shirley Protásio é especialista em Gestão de Pessoas e explica a situação de gêneros no mercado de trabalho, uma vez que está se tornando comum homens exercerem papéis que são tradicionalmente associados a mulheres e vice-versa.

“Diferenças entre homens e mulheres já são bastante discutidas, geralmente com foco em questões relacionadas a cargos, salários e tempo”, explicou.

"A partir do momento em que as lutas por igualdade facilitaram a evolução sociológica dos gêneros no mundo corporativo, também se percebeu que não se trata de diferenças de capacidade ou habilidade, mas sim, tão somente, de papel social. Pensando nisso, a tendência é que se torne cada vez mais comum mulheres exercendo funções tradicionalmente masculinas e, de forma ainda mais inusitada, homens exercendo funções convencionalmente femininas", acrescentou.

Por fim, Shirley afirma que o mundo do trabalho ganhou diversidade, flexibilidade e inovação, sendo esta a tendência sem caminho de volta.

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