Polícia de AL aponta servidores públicos em esquema de fraude em sorteios habitacionais
Equipe investiga golpe que teria movimentado mais de meio milhão de reais

A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) revelou novos detalhes da segunda fase da Operação Teto de Vidro, que investiga um esquema criminoso responsável por aplicar golpes em pessoas interessadas em obter vantagens indevidas em sorteios habitacionais. Segundo as investigações, servidores públicos municipais e estaduais teriam participado da fraude, que já contabiliza mais de 50 vítimas identificadas.
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Durante entrevista coletiva, a delegada responsável pelo caso, Michelly Santos, explicou que um dos investigados era servidor comissionado de uma secretaria municipal. De acordo com a apuração, ele atuava de forma isolada, sem qualquer envolvimento da administração municipal ou da secretaria onde trabalhava.
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“O município e a secretaria não tinham conhecimento da atuação desse servidor. Ele utilizava sua condição de funcionário público para transmitir credibilidade às vítimas”, afirmou a delegada.
As investigações apontam que os suspeitos prometiam influência em sorteios de unidades habitacionais, alegando que poderiam garantir prioridade ou favorecimento aos participantes mediante pagamento de valores. No entanto, a Polícia Civil informou que não encontrou qualquer indício de manipulação dos sorteios ou participação dos órgãos responsáveis pelos programas habitacionais.


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Segundo a delegada, o esquema funcionava por meio de uma rede de captação de vítimas. Algumas pessoas recebiam incentivos financeiros para atrair novos interessados, ampliando o alcance da fraude. Em determinados casos, vítimas acabavam se tornando colaboradoras do esquema ao indicar novos participantes.

A primeira fase da operação resultou na prisão do apontado como líder da organização criminosa, que permanece detido. Já na segunda etapa da ação, deflagrada nesta terça-feira (9), o foco foi identificar pessoas que receberam e movimentaram recursos financeiros ligados ao esquema.
As investigações revelaram ainda um forte indício de lavagem de dinheiro. Na residência de um servidor estadual investigado, os policiais encontraram diversos documentos relacionados a veículos, incluindo automóveis de luxo, além de registros de transferências patrimoniais, terrenos e outros ativos recebidos de terceiros.
De acordo com a Polícia Civil, os valores pagos pelas vítimas eram transferidos para contas de outras pessoas ligadas ao grupo e, posteriormente, retornavam aos principais envolvidos, numa tentativa de ocultar a origem dos recursos.
Embora o prejuízo formalmente comprovado até o momento seja de aproximadamente R$ 500 mil, referente às vítimas que registraram representação criminal, a movimentação financeira identificada pelos investigadores indica que o volume total pode ser significativamente maior.
“Temos mais de 50 vítimas identificadas, mas nem todas formalizaram denúncia. A movimentação financeira observada demonstra que o esquema era muito mais amplo”, explicou a delegada.
Nesta fase da operação, a Justiça autorizou medidas cautelares contra os investigados, incluindo afastamento de funções públicas, monitoramento e restrições diversas. Também foram realizados bloqueios de bens e ativos financeiros, além da apreensão de documentos relacionados a imóveis, veículos e movimentações patrimoniais.
O principal objetivo agora é rastrear os recursos obtidos de forma ilícita e buscar o ressarcimento das vítimas. A Polícia Civil segue analisando a documentação apreendida para identificar novos envolvidos e ampliar o mapeamento do patrimônio ligado ao esquema.
A Operação Teto de Vidro continua em andamento e novas fases não estão descartadas.
